Café Mon Amour

- Cara você é muito mole, disse ele com uma voz desdenhosa, ela literalmente manda em você, quando ela diz “Hoje você não vai sair”, já era, você não pisa o pé na rua.
Ele não podia admitir aquilo, o seu irmão mais novo lhe dizendo essas coisas. Tudo bem que a sua frequência de saídas houvesse caído drasticamente desde que a conheceu, mas falar que ela manda nele... Ai não dá. Ele tinha que se auto afirmar.
- Ah... Calma ai Alê, não é bem assim, falar que ela manda em mim, você já está exagerando, eu saio quando eu quiser.
- Mas ela manda mesmo. Então vamos sair hoje?
- Para onde você vai?
- Para o Café Mon Amour. Vai eu o Bob, o Negão, o Robinho e o Jão.
- Café, Alê... Aquilo é um puteiro, e que eu saiba bem dos fuleiro.
- III... Já está inventando desculpas. Aposto que ela mandou você ir para cama as 9 horas.
- Ah é?! Quer saber, eu vou!
Um celular toca “I can't get know, Satisfaction...”, Rolling Stones, só pode ser o dele:
- Alo.
- Oi amor, tudo bem?
- Tava pensando em sair com meu irmão e uns amigos...
- Não, acho que não vai dar pra você ir, nós vamos em seis no carro do Negão, não cabe mais ninguém.
- Quê? Isso é desculpa minha? Nada a ver gatinha, você sabe que eu te amo mais do que tudo e também sabe que eu adoro sair com você. Alias porque eu iria querer sair sem você?
- Jamais olhei pra outra mulher!
- Tá, tá... mas daquela vez eu tava bêbado, se fosse um homem eu teria beijado do mesmo jeito.
- Você sabe que eu não minto pra você.
- Para a danceteria.
- Não, aqueles mulherengos do Robinho e do Bob não vão.
- Pois é... Vou ficar com muita saudade porque você não vai comigo.
- Tá bom, de lá eu vou direto pra sua casa.
- Também te amo, beijos.
E foram os seis, de metrô (para beberem a vontade e voltarem dormindo) ao Café Mon Amour.



STEPHAN
ANDRÉ
ERNANDES
ANGEL
